quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

-A Nova Raça - 3º Temporada - Parte 3

O QUE HÁ DE NOVO SCOOBY DOO

Entrei no palácio abrindo aquelas portas ENORMES e me sentindo num filme com produção baixa... enfim, entrei no salão do trono, mas, o rei não estava lá. A esta altura uns quatro ou cinco guardas reais vinham atrás de mim; pedindo-me conselhos e bênçãos... mandei todo mundo ir pro Caralho, não tava muito afim de lero. Aquele povo nunca me via, e agora só sabia pedir? Eu hein. Mandei sim, todos irem pra este confortante lugar e de desabafo emocional enorme: A Casa do Caralho.
-Chamem o rei, imediatamente – eu falei, meio onipotente, com aquela voz de galã mexicano... Uma espécie de Carlos Daniel em outra dimensão.
Saíram quase todos, menos um, um velhinho...
*pause*
Imaginem que um velho é alguém pelancudo e curvado, e você verá um centésimo do que via ali, parado a minha frente. Uma criatura do meu tamanho, com uma cabeça enormemente maior que a minha, seu corpo frágil e curvado... e aqueles chumaços de cabelos brancos, que iam ali e aqui, dando uma desesperadora sensação de que o velho estava doente...
Repugnei-me com classe, sem deixar que o velho percebesse... muito.
*play*
-Meu Senhor... Como está? – o velho enrugado perguntou, cheio de confiança.
-Estou bem, monstrinho, e você – perguntei, ríspido, para que o velho entendesse que eu não estava para muitos amigos aquele dia.
-Lembra-se de mim, senhor? Lembra-se? – a criatura perguntava, com a cara ainda mais enrugada.
-O senhor... Do Vale dos Sábios? Ah, claro... – eu falei, era onipotente, porra, eu sabia tudo.
-Não, senhor... Sou Taltoltzmoth, fui buscá-lo em sua terra quando esteve aqui, a ultima vez – a criatura tentava falar, em sua voz que sumia de quando em vez.
-Taltal, é o seguinte, brother... Tu ta velhão hein? Por onde tu andou esse tempo todo?
-Servi ao nosso senhor para que servisse bem ao meu Rei – e fez uma reverencia que quase não percebi, pq já era bem curvado (tive vontade de empurrá-lo um pouco mais para baixo) – Quando o senhor esteve aqui, da ultima vez, eu era moço... Mas agora, trezentos anos depois, o tempo me pegou...
-E pegou de jeito, bicho...
*pause*
Mas naquele momento eu estava vendo tudo... Que aquela MERDA de lugarzinho, era igual aquela escrota da Nárnia... Porra! Eu tinha ido ali no dia anterior, Brother... O bicho tava me dizendo que ele já tinha trezentos anos a mais... que putaria era aquela???
Resolvi que não ia me sentir abalado. Eu era onisciente. E eu precisava deixar isso claro ali, naquele momento.
*play*
-Bom... E o que queres de mim, Taltal? – eu perguntei desconfiado, velho safado.
-Se fosse possível, meu senhor. Gostaria que o senhor levasse meu espírito, estou velho e já não sirvo tão bem como antes... dediquei minha vida ao senhor, para servir ao meu rei, mas, agora, sou inútil e não sirvo para combates.... Por favor, leve-me.
Cara, o velho chorou rios na minha frente.
Achei até meio dramático demais... eu hein, só trezentos anos me louvando? Nada disso... tem deus adorado há muito mais tempo que eu... ta na hora, vamos adorar! Mas, levei em consideração os inúmeros acréscimos que os idosos resolvem fazer nas histórias...
-Hum, e porque eu deixaria que você morresse? Sei que é um homem bom e louva ao deus verdadeiro!
-O senhor, em trezentos, não levou alma nenhuma... Nosso mundo está prestes a acabar... Nossos alimentos não estão crescendo como antes... Os outros deuses não estão fazendo nada para mudar esse quadro... Não querem ajudar em nada. Estamos prestes a sofrer com a superlotação...
*pause*
e nessa hora, dramática, que a câmera se afasta rapidamente, ultrapassando também a abóbada e então o bairro, a cidade, o pais, e aí aparece a Terra.... o mundo inteiro, superlotado.... ¬¬’ Choquei.
*play*
-Como é que é? Ah, caralho, eu vou ter que vir aqui todo dia pra resolver pepino? E quando eu resolvo os meus? – vociferei, meio estressado com aquela palhaçada.
-Senhor... os deuses menores não estão preocupados conosco... Eles estão desenvolvendo uma nova raça... Querem nos exterminar, para que essa nova raça progrida... eles acreditam que somos o que incomoda o crescimento de nosso mundo...
-Cara, tu é um ancião agora, né? Pq tu sabe de tudo, bicho, me conta coisas, vai.
-O Imperador Shuntziohju, mestre das artes negras, é o porta-voz de Beuz... Eles estão construindo um exército, para atacar a nova raça... Beuz está lucrando muito... ele está conseguindo seguidores, que já não suportam mais viver... ele promete levar-lhes para outro lugar, qualquer que seja, para que recebam a paz...
"Shuntziohju, recebeu poderes de Beuz... Ele agora, pode ser considerado um semi-deus, alguém tão poderoso quanto um, mas ele não pode levar ninguém... Nem Beuz pode, mas, eles estão desacreditados, imaginam que o senhor é quem nos abandonou novamente... e por isso, está acontecendo esta revolta..."
-Tá... Mas, os outros deuses, brother, eles não seriam mais felizes matando todo mundo então? Expurgando todo mundo dessa Merda, tudo volta ao normal e eles criam uma nova raça... perfeito, não?
-Na verdade, não, senhor... Temos apenas uma regra de aspecto espiritual aqui em Cinnamon, senhor, e ela é ‘nenhum outro deus tomará tua alma, pois ela é propriedade minha’... Logo, eles não poderiam fazer nada. Só esperar... Mas, de alguma forma, um dos deuses, segundo o porta-voz da Deusa do Fogo, já descobriu uma forma de destruir nossos corpos... e esperar que o senhor volte, para levar nossas almas...
-Bicho, isso agora ta com cara de conto de terror, saca? Eu não quero alma de ninguém, brother... eu não sou satã... ele que cobra almas... eu só quero resolver meus problemas... Mas, eu to vendo que não vai dar né?
-Meu Senhor, Shuntziohju já está com quase todo o seu plano concluído. Ele já tem criaturas o suficiente para guerrearem conosco – Taltal falou, se sentindo o tal.
-Meu Senhor Maior – disse uma voz esganiçada vindo apressada pelo corredor, usava uma coroa e um manto real impecáveis; não era o rei Bauniss... – Sabíamos que o senhor viria, sempre soubemos!
Alguém pigarreou ali perto. E eu arqueei as sobrancelhas pro Rei, que encolheu-se.
-Queríamos ter a certeza de que o senhor voltaria – ele disse, humildemente – Mas, trezentos anos depois é um pouco difícil de manter a fé, meu senhor.
O rei estava falando de cabeça baixa, e os outros acompanhavam o gesto.
-Quem é você? – eu perguntei, sem entender do que aquele homem falava.
-Sofghdukltuon, rei de Leste e das Ilhas sem nome.
-Softu, é o seguinte, bicho, não sei o que esperam de mim, mas, se esse cara aqui me disse a verdade, eu to metendo o pé, já... – eu falei, já virando as costas, sem nem saber pra onde ia.
-Meu Senhor, não faça isso – implorou Softu, ajoelhando-se – nosso mundo está prestes a acabar, os Humns estão guerreando por água e comida... As mulheres não param de engravidar e as pessoas não morrem... Simplesmente não morrem, ou, não morriam...
Um dos deuses descobriu como levar as almas, e está fazendo isso com uma velocidade enorme... Brevemente conseguirá tantas almas quantas forem capazes para tornar-se mais poderoso que o senhor...
-O que é, hein? – perguntei, absorvendo com uma certa irritabilidade aquelas palavras – Quer dizer que pode então, existir um deus maior do que eu? E, deixa eu adivinhar? Fui eu quem propôs esta Porra!
-Sim, senhor, foi sim – o rei disse, um tanto enrubescido – O que importa é que neste momento, o senhor ainda tem chances de resolver isto! Apanhe mais almas que o outro, e o senhor continuará sendo o único, para sempre!
-Para sempre só me fode, queridão – eu falei, atrevido e irritado – Ou eu posso também, destruir esse deus de merda que está querendo comandar tudo aqui e todo mundo fica feliz, pode ser? – eu falei, achando a opção tão obvia e ridícula...
Bom, depois daqueles conselhos cada vez piores, resolvi que ia agir por conta própria... eu é que era deus naquela merda, e deus não ouve ninguém, ele faz o que quer, e ponto. E eu também. Fiz o que queria, imaginei um sorvete gigantesco de flocos... e fui comendo, enquanto caminhava, meio feliz, meio refrescado. Enfim... caminhei até o Vale dos Sábios... E se eu dissesse que havia visto milhares de Humns, eu estaria mentindo... haviam bilhares, talvez trilhares e quadrilhares... eram muita cambada de gente feia por metro quadrado; era assustadora a forma como aqueles bichos haviam se reproduzido...
Sabia porque os deuses queriam destruir aquelas criaturas abomináveis: eram como lagartas numa árvore, como ratos no esgoto... eram asquerosos e ainda por cima, multiplicavam-se assombrosamente. Me bastou alguns minutos de uma caminhada com muitos esbarrões e com licenças e desculpas; um lugar extremamente cheio, demasiadamente apertado e estupidamente feio.
Cheguei ao Pico do Conselho de Pedra, onde os deuses se reuniam em Cinnamon... E não me surpreendi, quando vi todos os deuses ali, sentados, discutindo fervorosos o destino do mundo que eles queriam; um mundo mais bonito e mais inteligente, certamente.
-Senhor! – gritou a deusa da sabedoria, quando me aproximei e fiquei em seu campo de visão.
Vários pares de olhos me encararam. Alguns surpresos, outros felizes e até pude jurar que vi um enraivecido... mas, Beuz não estava ali. Havia sido expulso.
-O que está acontecendo dessa vez?- eu perguntei, tomando meu lugar na mesa.
Todos começaram a falar imediatamente, as palvras ‘gnomos’, ‘feios’ e ‘lerdos’ nunca haviam sido ditas em tão grande proporção num grupo de pessoas tão pequena. E não pude entender nada do que diziam.
-Calem-se – e, imediatamente tudo silenciou – deixem que a Deusa da sabedoria fale; ela é minha regente, afinal.
A deusa da sabedoria empertigou-se em sua cadeira e pôs se a falar, com aqueles peitões num decote perfeito.

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